terça-feira, 4 de junho de 2013

António Rosa Mendes (1954-2013)


Uma notícia muito triste. Encontrámo-nos apenas uma vez. Em Faro, numa livraria, numa noite de 24 de Abril. Ouvia-se a certa altura foguetes a rebentarem pela cidade, perto da meia-noite. Tinham marcado uma apresentação de um livro meu para uma noite de festa. O apresentador falava muito e, mais do que isso, cativava as pessoas, daí a sessão estar a prolongar-se. Já se tinha entrado num debate que parecia interminável, com o meu livro entretanto esquecido e a minha presença na mesa quase ignorada – o tema tinha passado a ser o Algarve e os seus problemas. Eu estava a mais, mas lá me ia aguentando. Na assistência tinha reparado numa cara conhecida, não de uma pessoa minha conhecida mas no sentido de ser conhecida por tratar-se de alguém importante. No final do debate, que não sei como foi possível que tivesse terminado, levantou-se discretamente do seu lugar e veio pedir-me um autógrafo. Não lhe perguntei o nome, como em muitos casos tenho de fazer. Mas ele disse na mesma. Na minha cabeça ele é que teria de perguntar-me o nome (pela minha insignificância se nos puséssemos com comparações), apesar de ter um livro meu na mão.

Notícia aqui. Foto: «Jornal do Algarve»

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